segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Planejamento e Ousadia

Duas características vitais na administração de uma empresa: é possível conciliá-las?

*Bárbara Beraquet

“Quem irá agüentar horas, sentado, diante de uma caixa?”
O ano é 1939. A caixa é um aparelho de televisão. O comentário, que figurou nas páginas do jornal The New York Times, retrata a opinião de muitos sociólogos e especialistas em comunicação da época, que não viam nenhum futuro para a TV. Nossa História está repleta de vitórias e impérios construídos a partir daquilo que ninguém acreditava ser possível.
Se, a priori, planejamento e ousadia parecem conceitos antagônicos, um segundo olhar revela que ousadia, sem planejamento, é colocar em jogo o que já se conquistou, é “pular de um avião sem pára-quedas”. Basta observar a alta taxa de mortalidade das empresas – 42% não sobrevivem aos dois primeiros anos de vida, essencialmente pela falta de planejamento, de acordo com dados do SEBRAE.
Já planejamento, sem ousadia, torna-se uma “camisa-de-força”, um obstáculo para empresas que desejam não só permanecer no mercado, mas também crescer.
Presente nos que assumem riscos calculados e realizam investimentos em novos produtos, serviços, tecnologias e nichos de mercado, a ousadia empresarial está em adiantar-se às tendências, o que só é possível com a observação atenta do mercado e do contexto econômico e social.
Experiente nos mercados de consultoria, treinamento e desenvolvimento em diversas empresas dos segmentos farmacêutico, varejo e automobilístico, entre outras, o palestrante Scher Soares, diretor da Triunfo Consultoria e Treinamento, explica que as soluções encontradas pelas empresas para superar seus desafios estão diretamente relacionadas à capacidade de antevisão.
“Infelizmente, o planejamento não é um traço fortemente presente na cultura brasileira. Contudo, nos últimos anos, em função das constantes mudanças na economia, o conceito de planejamento se tornou mais do que uma necessidade: um aspecto vital para o sucesso das empresas. O que ocorre é que o planejamento, em si, é apenas um dos aspectos necessários para antever os desafios e desenvolver as soluções”, diz.
O consultor comenta que o planejamento deve ser a base para uma administração estratégica. “Um bom planejamento assegura a boa tomada de decisões, o aproveitamento das oportunidades”, diz.
Scher fala por experiência própria. À frente de uma empresa que atua em mercados competitivos como o farmacêutico, com uma unidade no bairro Morumbi, na capital paulista, e outra no bairro Cambuí, em Campinas, interior de São Paulo, o empresário vem investindo em seu quadro de profissionais e atua, ainda, no mercado de propaganda e marketing, através da Triunfo Propaganda, Marketing e Criatividade.
“Posso afirmar, com segurança, que um bom planejamento facilita a criatividade e a ousadia, uma vez que as bases estarão claras e o processo permitirá que o gestor possa transitar de uma zona reativa, na qual apenas reage ao contexto, para uma zona ativa, na qual ele antecipa e cria seu próprio contexto”, afirma.

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